Buenos Aires: Tango e boa gastronomia

A capital argentina é conhecida como a Paris sul americana, principalmente devido à alguns toques da arquitetura e ao estilo mais elegante e sóbrio de se vestir dos portenhos, nome que se dá a quem nasce na Capital Federal, Buenos Aires  (ainda que alguns brasileiros, devido à eterna richa Brasil – Argentina, atribuam tal comparação com a capital francesa a uma pressuposta arrogância argentina).

Primeiramente, é importante explicarmos que a província (como os argentinos chamam seus estados) de Buenos Aires compreende em sua área, obviamente, várias cidades, dentre as quais está Buenos Aires (Capital Federal) e outras mais, como Ezeiza, onde situa-se o aeroporto internacional, ou La Plata, cidade do clube de futebol Estudiantes, atual campeão da Libertadores da América.

Convém explicar, portanto, que este post trata da Capital Federal, Buenos Aires, não da província, ainda que a maioria dos destaques possa caber também a outras cidades da província.

O Tango de Carlos Gardel

Assim como o Samba para o Brasil, o Tango mexe com os Argentinos e é marca contundente de sua cultura. Casas como o mundialmente conhecido Café Tortoni, onde Carlos Gardel costumava sentar-se para compor seus Tangos, atraem visitantes do mundo inteiro e mostram, em seus emocionantes shows de Tango dramatizados, a história desta dança que começou em cabarés e popularizou-se com o tempo. Nos vídeos, acima e abaixo, é possível conferir o charme, sensualidade e precisão da dança nacional argentina.

O Tango também deu origem a uma versão da dança, conhecida entre os argentinos como a Chacarera, realizada com boleadeiras, pelos chamados gauchos (sem acento mesmo) lembrando em muito as danças tradicionais gauchescas que podemos ver em Porto Alegre, em churrascarias como a Galpão Crioulo. Abaixo, Karina Petzold, gerente de marketing da Oxford Argentina, conta um pouco sobre a história desta dança. No link acima, no nome da dança, é possível ver um trecho desta apresentação no mesmo Café Tortoni.

Gastronomia à base das melhores carnes

O assado argentino, como os “hermanos” chamam seus churrascos, é feito de maneira bastante diferente dos nossos churrascos, lembrando bastante as tradições campeiras da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, como o fogo de chão e o hábito de, por vezes, assar animais como ovelhas ou porcos, quase inteiros ou até mesmo o gado bovino em pedaços enormes, como na foto ao lado. Existem também as parrillas, como no Uruguai, onde as carnes são grelhadas, mas o tradicional assado argentino é preparado como na foto ao lado. 

Mas não é apenas a forma de preparar o assado que acentua a qualidade e sabor do churrasco argentino. Suas carnes são extremamente macias. O gado é abatido, normalmente, ainda jovem o que faz com que a carne seja não apenas saborosa, mas extremamente macia. Na ausência da picanha, já que na Argentina não existe o mesmo corte, as carnes mais nobres dos argentinos são o filé mignon (lomo) e o chamado “bife de chorizo” um corte que, apesar de não ser a mesma coisa, lembra a picanha, pela maciez da carne e a capa de gordura que acentua seu sabor.

Além do churrasco, os argentinos disputam com os uruguaios quem produz o melhor chivito, espécie de xis que mencionamos no post sobre Montevidéu. Outra especialidade gastronômica argentina são os pães. Os mais variados tipos de pães argentinos são servidos tentadoramente em cestinhas antes das refeições e, principalmente quando servidos quentinhos, são uma verdadeira tentação. E a tentação não está apenas naqueles pãezinhos servidos no couvert dos restaurantes, mas principalmente nas tradicionais “media lunas rellenas” (meia-luas, em pão croissant, rechedas) servidas nas cafeterias ao longo do dia e mesmo nos cafés da manhã em hotéis. Há salgadas e doces, com recheio de goiabada, doce de leite, queijo, presunto, etc. Todas tentadoramente irresistíveis e engordantes.

Por fim, outra marca gastronomica argentina são os deliciosos alfajores cobertos de chocolate e recheados com doce de leite e os vinhos, principalmente os da região de Mendoza, aos pés da Cordilheira dos Andes. É pouco provável que alguém consiga viajar a Buenos Aires por uma semana e volte com o mesmo peso de antes. A menos que este viajante não goste de carnes, pães, doces e vinhos.

Monumentos, bairros e marcos da cidade

Buenos Aires é uma cidade marcada pela história e seus monumentos, marcos e prédios mais importantes retratam exatamente isso, ainda que haja obras modernas de arquitetura em alguns pontos, como no Puerto Madero e Recoleta, por exemplo.

O obelisco central da Avenida 9 de Julho é o principal marco da cidade e, a partir dele, além da disponibilidade de várias linhas do metrô nas proximidades que dão fácil deslocamento para qualquer ponto da cidade, é possível pegar, a pé, a avenida Corrientes, perpendicular à 9 de Julho, em direção ao Congresso Nacional da Argentina.

Para o outro lado do famoso obelisco, o turista pode caminhar até a Plaza de Mayo, onde situa-se a Casa Rosada, sede do governo argentino e palco de muitos protestos recentes devido ao descontentamento do povo com sua presidente, Cristina Kirschner. No trajeto entre o Congresso Nacional e  a extravagante Casa Rosada, outros monumentos históricos são visualizados e, com sorte, é possível observar a meticulosa troca de guarda (estilo inglês) no outro lado da Plaza de Mayo.

Na mesma região central, outro ponto turístico que atrai diariamente milhares de pessoas às compras é a Calle Florida, um calçadão com as mais variadas lojas para o turista realizar compras de todos os tipos e, sabendo procurar, baratas. Para quem conhece Porto Alegre, a Florida de Buenos Aires é uma espécie de Rua dos Andradas em espanhol. Continuando o passeio, do centro em direção ao rio da Prata, passamos por mais prédios e monumentos históricos e chegamos ao Puerto Madero, região costeira renovada por um recente projeto urbanístico que hoje abriga muitos dos melhores espaços gastronômicos da Capital Federal.

Passando por Puerto Madero, em direção ao porto antigo, o turista chegará até outro ponto imperdível da viagem: O Caminito. O bairro, de casas coloridas, além de ser um belo local para fotos, fica encostado em outro bairro tradicional da capital, o La Boca, que abriga um dos estádios mais importantes das Américas, La Bombonera, sede do Boca Juniors, clube do coração de Maradona.

Ainda no Caminito, devido a toda esta relação de proximidade com o clube Boca Juniors, é possível bater fotos com um sósia de Diego Armando Maradona, como souvenir do local.

O sósia mostra, para todos, fotos de sua participação no antigo programa de televisão de Maradona na Argentina, “La noche del 10″, como convidado do atual técnico da seleção argentina de futebol, então apresentador.

Ao lado, aproveito para, com minha esposa, tirar uma foto junto ao folclórico personagem.

Onde ficar?

Para quem deseja realizar uma viagem simples com hotéis razoáveis, tanto em qualidade quanto em custo, há algumas boas opções. Contudo, é preciso que se diga que Buenos Aires não é uma capital barata no que diz respeito a hospedagem e alimentação (em restaurantes). Uma das melhores regiões para se hospedar, pela facilidade de deslocamento dali para qualquer ponto da cidade, é a região central, principalmente nas proximidades do obelisco da Avenida 9 de Julho.

Os hotéis Sarmiento Palace, Grand Boulevard, Íbis e Design Suites são todos na mesma região e variam pouco nos preços como é possível ver no site de cada um clicando nos respectivos nomes, acima. Os mais caros dentre os 4 sugeridos, mas também de qualidade superior, são o Gran Boulevard e o Design Suites.

Íbis e Sarmiento são um pouco mais em conta, porém tem defeitos que, para mim, depõem contra os mesmos. O Íbis, como no Brasil, não possui room service e tem o frigobar vazio, tendo que ser abastecido na recepção pelo próprio hóspede. Já o Sarmiento, tem serviço de quarto, mas não tem frigobar no quarto, tendo o hóspede que solicitar água, ou qualquer outra bebida, pelo telefone sempre que precisa.

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